Nosso coração ganhou morada!

Nosso coração ganhou morada!

Por Allan Valdivia

No dia 16/03/19, a Oficina de Estudos da Arte Espírita realizou o seu “Chá de Casa Nova”, o evento de inauguração da sua nova sede, situada no bairro do Andaraí (RJ). Recebemos nossos alunos, professores, familiares e amigos, para celebrar essa etapa conquistada. 

É a culminância de uma trajetória iniciada a quinze anos, surgida dos grupos de violeiros dos polos da COMEERJ (Confraternização das Mocidades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro). Quem diria que aquela ideia iria tão longe? Relembrando Beto Guedes: Oh! Nem o tempo amigo, nem a força bruta pode um sonho apagar”

Mas por que buscar uma sede? A arte precisa, ou mesmo, merece esse tipo de iniciativa no Movimento Espírita?

Com certeza, é uma atitude que parece ousada, ainda mais diante da realidade econômica, social, cultural e espiritual em que estamos inseridos. São grandes os desafios, quando pensamos na manutenção de uma instituição desse viés. Mas, ao analisar o objetivo geral da Oficina – fortalecer a ação evangelizadora através da arte, à luz da Doutrina Espírita – surge em nosso olhar a certeza de que a hora chegou, após uma caminhada de muitas lutas e descobertas.

Entendemos que é imperioso procurar e oferecer outra forma de nos relacionar com a Arte, essa parte integrante e fundamental da natureza humana, que foi assim definida por Leon Denis: 

[…] a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna da qual percebemos, aqui na Terra, apenas um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte de onde ela emana, e isso é uma tarefa difícil para a maioria entre nós. (O Espiritismo na Arte)

Urge buscar esse contato, mas como fazer se não estivermos no esforço de sermos melhores receptores para ideias tão especiais? 

Evidente a necessidade do estudo da arte sob a ótica das ideias espíritas, descortinando nossos potenciais e apontando novos rumos para o que ainda temos a melhorar. Essencial o desenvolvimento da sensibilidade, da espiritualidade, para que outros olhares artísticos venham à tona. Importante permitir que a arte esteja em nosso dia a dia, que nos envolva e eleve, transformando o nosso viver, o sentir e o nosso conviver. Fundamental melhorar a nossa prática e estimular novas criações artísticas, sem deixar de difundir a que já produzimos, pois estaremos contribuindo para que elas cheguem a todos os corações, sempre inspiradas pela doce mensagem do Mestre Jesus.

Para essa tarefa, é preciso atravessar a superfície e buscar colocar nossas bases em águas mais profundas. A nossa casa é o nosso barco, partindo para uma nova viagem.  O mar pode apresentar dias turbulentos, mas o que podemos desbravar e conquistar nos anima a avançar. Quem sabe um dia poderemos ser como Pedro, pescadores de homens mais felizes com a sua arte, em perene contato com o belo e o bom?

Vamos velejar sob a inspiração de Allan Kardec: “O Espiritismo abre a Arte um campo novo, imenso e inexplorado. E quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, colherá nessa fonte as mais sublimes inspirações”.  Então, velas ao vento!

“Vem comigo, venha logo, traga o seu olhar!” Vamos juntos nessa jornada pela arte espírita, bem compreendida, sentida e vivenciada. A nossa sede, a nossa casa é, desde já, sua também.