Arte e Espiritismo, um caminho possível?

Arte e Espiritismo, um caminho possível?

Por: Adriana de Freitas Pimentel

Muitas vezes nos perguntamos se realmente a arte pode ser um caminho… A arte não é uma atividade recreativa, de entretenimento, que acompanha nossa evolução para ajudar-nos a deixar as provas e expiações mais leves, que nos distrai e nos diverte? A trajetória pela arte não faz com que entremos em contato com nossas vaidades, orgulho, fazendo-nos pensar que somos melhores do que outros, permitindo-nos agir sem disciplina, além de facilitar o convívio com as drogas? Então, como a arte pode ser um caminho?

Pensando um pouco mais profundamente, toda a vida material nos torna mais grosseiros, limitados em nossas percepções, nos coloca no torvelinho de nossas próprias imperfeições, num estado de esquecimento provisório, ligados a uma teia de resgates e desafios, nos quais, podemos escorregar a todo instante.  O Espiritismo, nesse complexo de dúvidas, medos e inseguranças, serve de bússola a guiar-nos os passos, para que entendamos de forma mais clara os ensinos contidos no Evangelho, aliados às elucidações dos espíritos que fizeram parte da Codificação. Para nós, espíritas, a diferença entre estar no mundo e ser do mundo vem do conhecimento de que somos espíritos imortais, perfectíveis, estando na Terra com um propósito e que estamos todos ligados pelos laços espirituais de responsabilidade individual e coletiva na história da vida. 

A arte é produto do espírito, do ser humano que encarnado se expressa através do seu corpo físico. Como tal está atrelada ao pensar, ao modo de ser e agir do artista, da sua evolução.  Porém, a Doutrina Espírita é um clarão que nos ilumina, convidando-nos a sermos espiritistas num exercício contínuo de nos reinventar e transformar seguindo a lei do progresso e amor. Dessa forma a arte, como a prece, abre um canal de extrema potência rompendo com as vibrações mais pesadas da matéria, que nos dificultam o contato com os espíritos elevados. Esses, reconhecendo o esforço e a seriedade de quem a faz, passam a inspirar, a orientar e a contribuir com o próprio desenvolvimento do fazer artístico.

O artista se assemelha em muito ao médium, que tem em suas mãos enorme chance de trabalho redentor, estando responsável pelo bom ou mau uso de suas atividades medianímicas. A arte é meio de transmissão das belezas eternas, uma forma de entrarmos em contato com o divino, com o poder criador e desenvolver o aprendizado necessário ao caminho evolutivo. O artista necessita de disciplina, estudo constante da técnica e da doutrina espírita que o inspira e apoia. Por serem pessoas sensíveis às influências espirituais, por trabalharem com a aproximação espiritual – inerente ao fazer artístico – o desenvolvimento da mediunidade é aconselhável para o devido controle de seus impulsos, contribuindo para o autoconhecimento. 

A produção do bem e do belo, pela caridade, é o caminho para a felicidade interior, da paz e harmonia com Jesus. Todas as ações nesse sentido são valiosas e geram uma energia que envolve a todos os servidores do Cristo em suas tarefas – quaisquer que sejam – os ligam magneticamente formando elos entre encarnados e desencarnados, que iluminam a Terra em meio aos desafios. 

A arte combinada com a verdadeira Caridade, mãe de todas as virtudes, impulsionada pela vontade de servir, atinge não só aos corações de quem a produz, mas aos de uma coletividade de contempladores/consumidores que se alimentam das energias dinâmicas de magnetismo e luz impressas em suas obras. O artista verdadeiro, que produz a arte para Deus, não só se serve de um caminho regenerador em contato com seu autodescobrimento, conhecendo e dominando suas imperfeições, como ajuda aos irmãos, encarnados e desencarnados, necessitados de beleza e sensibilidade, tendo assim, em suas mãos, um trabalho de redenção a serviço de/com Jesus.

Produzir e consumir arte à luz do Espiritismo traz aos corações um novo olhar para o fazer artístico. Ilumina o cotidiano imerso em conceitos obscuros, criados por nós mesmos, em encarnações anteriores, numa conduta equivocada do uso da arte, contrária às Leis de Deus.  A arte aliada ao Espiritismo aponta um caminho para trabalho e redenção. Que refaçamos juntos nossa estrada com a sabedoria de aprendizes eternos das palavras de Jesus. 

 

Texto originalmente publicado na revista Arte Espirita em fev 2019